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Os dilemas de um escritor |
Ele passa um bom tempo escrevendo, talvez anos para finalizar um livro. Pesquisas, entrevistas, revisões, diagramação e muita ansiedade pelo caminho. Finalmente chega o dia do lançamento;
Ele sonha com uma fila extensa de admiradores com seu título na mão. Todos querem um autógrafo e um bate-papo com o autor. Quer escrever essa dedicatória carinhosa em cada um dos exemplares, batalhou muito por isso. Mas como se faz uma dedicatória em um exemplar digital? Ele envia um e-mail gentil para os fãs? Escreve no mural do Facebook de cada um?
As perguntas parecem absurdas, mas podem não ser. A dúvida já atormenta o escritor Rafael Vidal, de 38 anos. Vidal acaba de publicar o livro infantil A Miquelina e o Crumélio: Mundo Cinzento (Rai Editora). O escritor lê muitos livros digitais, mas se preocupa com o dia em que pode acabar o glamour dos lançamentos escritos. “O livro é um objeto Cult e sagrado para mim. Se meu livro fosse publicado apenas online, eu ficaria terrivelmente decepcionado. A noite de autógrafo é insubstituível para um autor, a peça impressa também. Outro dia vi um exemplar meu fisicamente parado ao lado do Harry Potter. A satisfação é inacreditável”.
ALMANAQUE SARAIVA 10/2011 |
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